Descobertas Turcas

Descobertas Turcas

A história de um doce e seu significado

Em uma viagem sozinha pela Turquia, durante 10 dias visitando as cidades de Istambul, Goreme, Pamukkale e Bodrum, conheci uma cultura espetacular e me diverti muito!

Viajar sozinha por este mundão é sinônimo de descobertas, de autoconhecimento, novas experiências. É maravilhoso!

Nestes dias, na grande cidade Istambul, dividida pelo Bósforo entre Europa e Ásia, vi muitos palácios majestosos, fiz passeio de barco ao por do sol, passeei por bairros antigos e novos, fui ao mercado de especiarias e vivenciei uma cultura muito diferenciada onde os doces e os temperos ficam expostos, policiais armados circulando normalmente, vendedores te chamando para negociar mesmo que só estivesse olhando o produto.

Já em Goreme, uma das cidades da Capadócia, me hospedei em um hotel caverna, tive a experiência de passear em um balão e conhecer as cidades subterrâneas.

Em Pamukkale, uma cidade com um parque enorme onde podemos saber mais da cultura turca e visitar piscinas naturais calcárias de águas termais que parecem de algodão.

Ainda visitei Bodrum, uma cidade praiana muito alegre e com um estilo bem parecido com o grego. Restaurantes mais contemporâneos e muitos passeios de barco. De lá através de uma balsa de pessoas, em 1h, chegamos à ilha grega mais próxima chamada Kos, é possível fazer um passeio bate-e-volta para conhecer essa ilha que foi palco dos ensinamentos de Hipócrates aos seus alunos embaixo de uma bela árvore.

Neste país onde havia sultões, palácios grandiosos, cultura exótica e curiosa foi onde experimentei o doce mais especial de todos: o baklava!

Baklava é um tipo de folhado (feito com 40 folhas) com nozes trituradas e mel, há variações com pistache (meu favorito), avelãs e até outras sementes. Essa é a descrição, mas a sensação quando põe na boca este doce, ahhhh, como explicar??? Ele nos traz a crocância do folhado com o docinho do mel e da noz, uma sensação inexplicável!

O baklava teve sua origem nos Impérios Otomano, Bizantino e Persa, mas há uma história muito bonita que uma amiga turca me contou…

Reza uma das lendas que havia um rapaz chamado Memik que trabalhava com seu pai em um moinho em torno de pomares de pistaches e amendoins.

Em uma vila próxima, havia uma menina chamada Lava, ela ajudava sua mãe com o trabalho e elas levavam o trigo para moer no moinho onde Memik trabalhava. Memik, que era apaixonado pela menina, ficava encantado e passava a vê-la em todas os momentos de seu trabalho, porém, a menina Lava, não olhava para ninguém além de sua mãe.

Como iria perceber aquele amor de Memik se não olhava para ele?

Esta cena repetia-se por todas as vezes que Lava ia com sua mãe ao moinho. Memik não sabia como fazer para chamar sua atenção.

Um certo dia, um dervixe (praticante do islamismo conhecidos pela extrema pobreza – os mais conhecidos são aqueles que rodopiam em uma cerimônia de adoração), foi até o moinho e notou a tristeza de Memik por não conseguir expressar o seu amor.

O dervixe em um ato de sabedoria disse que iria ajuda-lo a entender o caminho que poderia seguir para expressar seus sentimentos.

Ele disse: “Olha, filho, você vai fazer algo assim, parecido com ela e entregará a ela, você não pode esquecer de adicionar o seu melhor trabalho e o seu amor.

O que você vai fazer é: algo que será tão dourada quanto seu cabelo, branco como sua pele, tão verde quanto seus olhos, tão cheiroso quanto seu perfume. E vai ser doce, mas não de forma desagradável, e vai parecer com o mel dela.”

Memik pensou por dias em o que fazer e então decidiu!

Memik fez uma mistura do trigo amarelo mais bonito que tinha no moinho. Ele cuidadosamente moeu e tirou a melhor farinha de trigo. Foi para as árvores de amendoim e pistache e colheu aqueles que ainda não atingiram a maturidade total eram os mais verdes e mais saborosos, os escolheu um por um. Extraiu a melhor manteiga do leite das ovelhas em seu jardim. Derreteu a manteiga e transformou-a na essência do óleo. Ele recolheu o melhor mel das colmeias.

Criou a massa filo com muito cuidado, ela era branca e delicada. Enquanto os amendoins e pistaches batiam e rodopiavam no pilão, lembrando o verde dos olhos de Lava.

Então, Memik começou a colocar cuidadosamente uma camada em cima da outra em uma bandeja coberta com manteiga perfumada, e a cada camada, ele sussurrou seu amor pela garota.

Os olhos verdes de Lava vinham a sua mente quando ele colocava os amendoins e pistaches, então a massa desapareceu sob a cor verde de tão exuberante que estava ficando o doce, e assim, camada por camada, o amor de Memik era expressado.

Ele pensou em tudo, inclusive em dividir em pequenas partes iguais a massa para que Lava pudesse pegar o doce delicadamente.

Ele colocou a bandeja com os doces para assar em seu forno o qual havia escolhido lenha por lenha com muito carinho. Ficou ao lado do forno observando até o doce ficar dourado como os cabelos de Lava.
Preparou o xarope de mel e colocou em cima de sua primeira fornada.

Memik havia atingido seu objetivo, ele cozinhou com todo seu amor, da forma mais delicada possível conforme o dervixe havia orientado-o. Agora deveria aguardar.

Lava foi ao moinho com a mãe e Memik aproveitou sua oportunidade para lhe entregar o doce que havia feito.

Lava colocou-o na boca sem olhar para Memik, assim que sentiu o gosto, a textura, olhou para a bandeja, olhou para ele e perguntou se era para elas o

doce, ele disse: “É para você!”, então Lava ficou corada e não conseguia tirar os olhos de Memik.
Memik decidiu chamar este doce de Baklava e essa energia e amor se transformaram em casamento e felicidade.

Uma bela história como essa nos faz refletir sobre o carinho que cada doce é feito e entender que cada um deles tem um sentimento exclusivo.
Espero que possa provar um baklava e sentir o amor de Memik por Lava!

E essa foi minha experiência por este país de cultura diferente da nossa, de um povo religioso, trabalhador e alegre. Prontos para nos receber e encantar!

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Claudia Guidetti

Claudia Guidetti é produtora de conteúdo e idealizadora do projeto Minha Viagem que visa mostrar às pessoas que todos podem sim viajar, independente do tipo de viagem. Sua motivação é mostrar o lugar visitado às pessoas da forma mais real possível onde a audiência recebe na prática dicas de como se locomover, hospedagens, restaurantes e pontos turísticos. Quanto mais diferente melhor!

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